A mortalidade do conhecimento
Algumas semanas atrás, comprei acesso a uma biblioteca digital com dezenas de milhares de títulos. A princípio, aquilo me pareceu uma espécie de extravagância intelectual: uma quantidade quase obscena de livros à disposição, organizados em pastas, PDFs e documentos que eu poderia abrir em poucos segundos. Depois veio uma sensação menos confortável. Comecei a calcular, de maneira bastante inútil, quantos daqueles livros eu conseguiria ler durante o restante da minha vida.
Mesmo que eu lesse um livro por semana, durante décadas, morreria tendo aberto apenas uma fração mínima daquele acervo. A percepção me pareceu banal por alguns segundos, até que deixou de ser.
Porque o problema não era mais a quantidade de livros que eu não conseguiria ler. Era tudo aquilo que uma consciência humana é incapaz de conhecer. E, logo depois, uma segunda pergunta apareceu: se sequer conseguimos abarcar o conhecimento que sobreviveu e está disponível diante de nós, o que dizer de todo o conhecimento que existiu e desapareceu? Não sabemos apenas pouco. Não sabemos sequer quanto foi perdido.
A partir daí, comecei a pensar no estranho estatuto daquilo que chamamos de verdade. Não pretendo aqui defender que tudo seja relativo, que os fatos não existam ou que qualquer explicação possua o mesmo valor que outra. Há uma diferença evidente entre duvidar dos mecanismos de legitimação do conhecimento e abolir a realidade. Um eclipse acontece independentemente da nossa opinião sobre ele. Uma substância possui determinadas propriedades ainda que uma sociedade as desconheça. O mundo não parece precisar da nossa autorização para existir. Mas existe uma questão anterior: como aquilo que existe chega a tornar-se aquilo que sabemos?
Entre o acontecimento e aquilo que uma civilização chamará posteriormente de verdade há uma enorme cadeia de mediações. Alguém precisa observar. Alguém precisa registrar. O registro precisa sobreviver. A língua precisa continuar compreensível. O documento precisa ser encontrado, uma instituição precisa considerá-lo digno de estudo. Um método precisa ser reconhecido como válido para interpretá-lo. Outros pesquisadores precisam poder acessá-lo. Alguma forma de consenso precisa finalmente atribuir àquela interpretação determinado grau de legitimidade. A verdade e o acesso à verdade, portanto, não são exatamente a mesma coisa. É aqui que a discussão se torna política.
Michel Foucault passou boa parte de sua obra investigando justamente a relação entre poder e conhecimento, não sob a forma simplista de uma conspiração central em que algumas pessoas se reúnem para decidir secretamente o que todos deverão pensar, mas como uma rede muito mais complexa de instituições, critérios, classificações, práticas e discursos que estabelece aquilo que, em determinado momento histórico, pode aparecer como racional, normal, científico ou verdadeiro. Escolas, hospitais, universidades, tribunais, arquivos e instituições científicas não apenas armazenam conhecimento; eles também participam da construção das categorias através das quais uma sociedade descreve a realidade.
A própria ciência oferece exemplos desconcertantes dessa historicidade. Thomas Kuhn mostrou que o desenvolvimento científico não ocorre simplesmente pela acumulação linear de verdades, como se cada geração apenas acrescentasse novas páginas a um livro universal já corretamente organizado. Paradigmas mudam; conceitos fundamentais são reformulados; instrumentos tornam visíveis fenômenos anteriormente inacessíveis; aquilo que parecia uma pergunta científica perfeitamente razoável em uma época pode perder o sentido dentro de outra estrutura conceitual. Isso não torna a ciência arbitrária. Torna-a humana, histórica e revisável. Talvez uma formulação mais precisa seja esta: o real não precisa de nós para existir, mas aquilo que uma civilização consegue saber sobre o real depende dos instrumentos, arquivos, linguagens e critérios de legitimidade que ela possui. E os arquivos desaparecem. Esse talvez seja o detalhe que mais facilmente esquecemos. O arquivo humano não é composto por tudo aquilo que a humanidade soube. Ele é composto por aquilo que, por uma combinação de poder, acaso, matéria, interesse e obstinação, conseguiu sobreviver ao esquecimento.
Nós conhecemos determinados filósofos antigos porque seus textos foram copiados. Conhecemos determinadas guerras porque alguém as registrou. Conhecemos determinadas religiões porque inscrições, manuscritos, templos e tradições foram preservados. Outros pensamentos desapareceram tão completamente que não sabemos sequer os nomes daqueles que os formularam. Por isso me parece equivocado olhar para os suportes materiais utilizados pelas civilizações antigas apenas como versões rudimentares de nossas tecnologias. Uma inscrição em pedra não é simplesmente o computador de alguém que ainda não havia inventado a eletrônica. A pedra possui uma característica extraordinária: permanece.
No Egito antigo, a própria diferença entre os sistemas de escrita revela alguma consciência dessa duração. A escrita hieroglífica formal era especialmente adequada a monumentos e contextos religiosos; pesquisadores da University College London descrevem esse campo monumental como um “horizonte de eternidade”, em oposição às escritas mais cursivas empregadas em contextos cotidianos. A escrita e o monumento participavam juntos da tentativa de fixar algo contra o tempo.
Na Mesopotâmia, a ironia é ainda mais extraordinária. Quando Nínive foi destruída por volta de 612 a.C., o fogo que devastou os palácios também cozinhou muitas das tabuinhas de argila da biblioteca de Assurbanípal. Aquilo que deveria destruí-las contribuiu para endurecê-las. Milênios depois, elas ainda podem ser lidas. O British Museum conserva inclusive textos sumérios acompanhados de traduções em acádio, evidência de que, já naquela época, uma língua antiga havia se tornado difícil e precisava ser ensinada e preservada pelos escribas. O incêndio destruiu a biblioteca e preservou a biblioteca. É difícil imaginar metáfora melhor para a arbitrariedade do que sobrevive.
E então chegamos ao paradoxo contemporâneo. Nunca produzimos tanta informação e talvez nunca tenhamos tido tanta confiança na aparente imaterialidade de nossos arquivos. Falamos em “nuvem” como se nossos dados tivessem abandonado a matéria. Não abandonaram. A nuvem possui prédios. 🙂
Possui servidores, unidades de armazenamento, cabos, sistemas de refrigeração, fontes de alimentação, roteadores e máquinas físicas. O próprio National Institute of Standards and Technology define a infraestrutura da nuvem como composta por uma camada física de servidores, armazenamento e componentes de rede sobre a qual opera uma camada de software. A internet, da mesma maneira, depende de uma infraestrutura material gigantesca: cabos terrestres e submarinos, data centers, pontos de troca de tráfego, antenas, satélites, roteadores e inúmeros quilômetros de fibra.
Quando guardamos uma fotografia, um PDF ou um livro “na nuvem”, a informação é transformada em dados digitais, representados por sequências de bits. Esses dados são gravados fisicamente em dispositivos de armazenamento e, nos grandes serviços, normalmente replicados. Sistemas modernos são construídos justamente para evitar que a falha de um disco ou mesmo de uma instalação apague aquilo que armazenamos. O Google Cloud, por exemplo, descreve sistemas em que fragmentos de dados são armazenados redundantemente em múltiplos dispositivos e, dependendo da configuração, em diferentes zonas ou regiões; verificações de integridade ajudam a detectar corrupção e restaurar informação a partir das cópias redundantes. Portanto, o problema não é que o armazenamento digital moderno seja simplesmente frágil. Em escala operacional, ele pode ser extraordinariamente resiliente. A verdadeira fragilidade aparece quando mudamos a escala da pergunta. Não dez minutos, dez, mil, cinco, dez, vinte mil anos.
Um sistema digital pode resistir à perda de um servidor precisamente porque existe uma civilização inteira trabalhando para que ele continue funcionando. Existe eletricidade, engenheiros, fabricantes de componentes, redes, peças de reposição. Existem sistemas operacionais, padrões técnicos, protocolos, senhas, chaves criptográficas, documentação e pessoas capazes de compreender cada camada da máquina. Retire progressivamente essas condições e algo estranho acontece. Os dados podem continuar fisicamente presentes e, mesmo assim, o conhecimento desaparecer.
A Library of Congress faz uma distinção importante entre preservar os próprios bits e preservar a capacidade de utilizá-los. Manter intacto o fluxo de dados de um arquivo não garante que uma geração futura possa abri-lo: formatos podem tornar-se obsoletos, codecs podem desaparecer, softwares deixar de existir, licenças tornar programas inacessíveis e determinados conteúdos dependerem de equipamentos que já não são fabricados.
A UNESCO alertou formalmente para esse problema ao declarar que o patrimônio digital corre risco de perda pela rápida obsolescência de hardware e software, pela ausência de manutenção e pela dificuldade de construir estratégias duradouras de preservação. É uma inversão histórica curiosa. Uma tabuinha de argila pode sobreviver milhares de anos sem alimentação elétrica. Um arquivo digital pode conter milhões de vezes mais informação, mas sua legibilidade depende de uma cadeia tecnológica incomparavelmente mais complexa. Talvez nossa civilização tenha produzido a forma mais poderosa de memória já conhecida e, ao mesmo tempo, uma memória que precisa ser incessantemente mantida acordada. Essa questão torna-se ainda mais estranha quando observamos as próprias instituições dedicadas à preservação.
A Biblioteca Apostólica Vaticana possui cerca de um milhão e meio de livros impressos e mais de 8.600 incunábulos, além de vastas coleções manuscritas, numismáticas e documentais. Seu catálogo e parte crescente de suas coleções são digitais. A mesma instituição que atravessou séculos preservando pergaminho, papel e códices mantém hoje uma infraestrutura tecnológica com armazenamento replicado, servidores e sistemas de backup destinados à preservação das imagens digitais. E é importante não confundir essa Biblioteca com o Arquivo Apostólico Vaticano. O Arquivo conserva mais de seiscentos fundos documentais distribuídos por aproximadamente 85 quilômetros lineares de estantes, cobrindo cerca de doze séculos. Desde 1881 ele é acessível a pesquisadores, segundo critérios institucionais e limites cronológicos definidos. Não é necessário imaginar uma sala secreta contendo “a verdade do mundo” para que o Vaticano seja relevante para esta reflexão. A pergunta é mais interessante quando abandonamos essa caricatura.
O que significa uma instituição possuir documentos que quase ninguém no planeta jamais consultará? E, ampliando a pergunta, o que significa qualquer arquivo decidir o que será incorporado, catalogado, restaurado, digitalizado, traduzido e disponibilizado? Todo arquivo seleciona e preserva. O que entra no arquivo ganha alguma possibilidade de atravessar o tempo. O que permanece fora dele depende de outras contingências.
A construção política do conhecimento não exige necessariamente que alguém falsifique o passado. Basta observar os mecanismos de seleção. Quais escavações recebem dinheiro? Quais línguas antigas são estudadas? Quais documentos são digitalizados primeiro? Quais livros recebem novas edições? Quem entra nos currículos? Quem é traduzido? O que uma universidade considera uma pergunta legítima? Qual fenômeno uma época chama de religião, superstição, doença, ciência ou loucura? E então, no meio dessas reflexões, encontrei um acontecimento contemporâneo quase grotescamente adequado ao problema.
Em 2025, uma decisão judicial no processo Bartz v. Anthropic tornou públicos detalhes de uma operação realizada pela empresa de inteligência artificial Anthropic. Segundo a decisão, a empresa gastou milhões de dólares comprando milhões de livros impressos, muitos deles usados. Prestadores retiravam suas encadernações, cortavam as páginas, digitalizavam os volumes e descartavam os exemplares de papel. Cada livro tornava-se um PDF pesquisável incorporado a uma biblioteca digital interna, da qual conjuntos de obras foram utilizados, entre outras finalidades, no desenvolvimento de modelos de linguagem.
Não há evidência nesse episódio de uma campanha destinada a apagar livros da cultura. Trata-se de digitalização em escala industrial, inserida também em uma disputa jurídica sobre direitos autorais. Mesmo assim, a imagem me perturba. Durante milênios, copiávamos um texto para que o livro sobrevivesse. Agora podemos destruir o livro para que sua informação seja absorvida pela máquina. O objeto é sacrificado em nome de outra forma de permanência. Mas que permanência é essa?
Um PDF ainda pode ser aberto e lido. Quando um texto participa do treinamento de um modelo de inteligência artificial, entretanto, sua relação com a máquina é diferente: o modelo não se transforma simplesmente numa biblioteca contendo cópias recuperáveis de todos os livros que processou. Ele aprende padrões estatísticos a partir de enormes conjuntos de dados. Partes da herança intelectual humana passam assim a influenciar sistemas que nenhuma pessoa individualmente poderia alimentar lendo livro por livro. A biblioteca deixa de ser apenas o lugar onde a consciência humana consulta conhecimento. Começamos a construir coisas que consultaram bibliotecas antes de nós. E então surge a pergunta que mais me interessa. Se uma civilização como a nossa desaparecesse, o que permaneceria? Edifícios cairiam. Metais oxidariam. Papéis se decomporiam em diferentes velocidades. Algumas cerâmicas sobreviveriam. Monumentos de pedra poderiam permanecer parcialmente reconhecíveis. Mas uma quantidade descomunal daquilo que pensamos, escrevemos, fotografamos, filmamos, pesquisamos e desejamos está armazenada em dispositivos cuja aparência física revela quase nada sobre seu conteúdo. Imagine um arqueólogo daqui a dez mil anos encontrando os restos de um data center. Sem eletricidade, sistema operacional, documentação, conhecimento de nossos formatos, sem nossos protocolos de rede, chaves criptográficas, sem saber sequer qual componente deveria conectar a qual máquina. Talvez ele encontrasse diante de si uma biblioteca contendo bilhões de documentos e concluísse que encontrou apenas sucata. A informação teria sobrevivido, o conhecimento, não. E então sou obrigada a dirigir a pergunta para o passado:
Quando encontramos uma civilização antiga, não encontramos aquilo que ela foi. Encontramos aquilo que conseguiu permanecer detectável. Essa distinção abre um território especulativo que não deve ser confundido com evidência, mas que também não deveria ser proibido à imaginação.
Platão escreve sobre Atlântida no Timeu e no Crítias: uma civilização poderosa que desaparece após catástrofes. Isso não constitui evidência arqueológica de uma Atlântida tecnológica, muito menos de computadores antigos. Transformá-la diretamente em fato seria abandonar justamente o rigor epistemológico que esta reflexão procura defender. O texto platônico, entretanto, oferece um experimento mental irresistível: quanto de uma civilização desaparecida precisaríamos encontrar para reconhecer corretamente o grau de complexidade que ela alcançou? E se determinada sociedade tivesse concentrado grande parte de seu conhecimento em um suporte altamente eficiente, mas extremamente dependente de uma infraestrutura que desapareceu com ela? Não estou afirmando que isso aconteceu. Estou perguntando se saberíamos reconhecer que aconteceu. Talvez a pergunta revele mais sobre nós do que sobre Atlântida.
Temos o hábito de olhar para aquilo que sobreviveu e reconstruir, a partir dessas ruínas, um mundo inteiro. Precisamos fazer isso; é assim que a arqueologia trabalha. Mas sempre existe uma diferença entre a totalidade de uma civilização e a amostra material que o tempo nos entregou. O passado não é aquilo que encontramos. Aquilo que encontramos é o que restou do passado. E o que restou não é neutro. A pedra sobrevive melhor que a voz. A cerâmica sobrevive melhor que o tecido. Certos ambientes preservam papiros; outros os destroem. Guerras apagam arquivos. Incêndios destroem pergaminhos e, em Nínive, cozinham argila. Impérios escolhem quais histórias registrar. Religiões copiam determinados manuscritos e abandonam outros. Bibliotecas adquirem algumas coleções. Estados classificam documentos. Mercados mantêm certos livros impressos e deixam outros desaparecerem. Algoritmos tornam algumas informações visíveis e enterram outras sob milhões de resultados. A memória humana sempre possuiu uma arquitetura. Talvez seja por isso que aquela biblioteca digital me produziu tamanha vertigem.
Diante de dezenas de milhares de livros, percebi inicialmente a pequenez da minha própria vida. Depois percebi algo maior: nem aquela biblioteca, nem todas as bibliotecas existentes, nem todos os servidores do planeta contêm tudo aquilo que a humanidade soube. Contêm sobreviventes. E nós construímos nossas concepções de realidade a partir deles. Isso não significa que a história seja uma mentira ou que qualquer fantasia sobre o passado seja tão válida quanto uma evidência arqueológica. Significa algo, para mim, mais perturbador: toda civilização conhece o passado através daquilo que conseguiu atravessar o tempo e daquilo que ela própria possui instrumentos para reconhecer como informação. Talvez uma escrita possa permanecer diante dos olhos humanos durante mil anos sem que ninguém consiga lê-la. Talvez um disco possa preservar dados que ninguém mais saiba decodificar, uma biblioteca possa existir sem leitores, uma verdade possa existir sem encontrar uma linguagem capaz de formulá-la. Nós costumamos imaginar o esquecimento como um vazio, como a ausência de alguma coisa. Talvez ele seja também uma presença indecifrável. E talvez seja essa a vertigem mais difícil de suportar: não apenas a possibilidade de que muito tenha desaparecido, mas a possibilidade de que algumas coisas ainda estejam aqui, diante de nós, e nós simplesmente já não saibamos o que são.
— Liorah Zahav
Notas e fontes essenciais
Michel Foucault, Discipline and Punish, The Archaeology of Knowledge, Power/Knowledge e The History of Sexuality, vol. I; Stanford Encyclopedia of Philosophy, verbete “Michel Foucault”.
Thomas S. Kuhn, The Structure of Scientific Revolutions; Stanford Encyclopedia of Philosophy, verbetes “Thomas Kuhn” e “Scientific Revolutions”.
University College London, Digital Egypt for Universities, materiais sobre escrita hieroglífica, hierática e o “horizon of eternity”.
British Museum, Ashurbanipal Library Project e acervo da Biblioteca de Assurbanípal.
Biblioteca Apostolica Vaticana, departamentos de livros impressos, biblioteca digital e infraestrutura tecnológica.
Archivio Apostolico Vaticano, informações institucionais e descrição dos fundos.
National Institute of Standards and Technology, NIST SP 800-145, The NIST Definition of Cloud Computing.
Internet Society, materiais sobre a infraestrutura física da internet.
Library of Congress, Bit Level Preservation and Long Term Usability e Sustainability of Digital Formats.
UNESCO, Charter on the Preservation of Digital Heritage.
United States District Court, Northern District of California, Bartz et al. v. Anthropic PBC, Order on Fair Use, 23 de junho de 2025.
Platão, Timeu e Crítias.

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